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Dogville,
2003
Dinamarca/Suécia/EUA/
Noruega/Holanda/Itália/
Finlândia/Alemanha/
Japão/França/Inglaterra
Drama - 177 min. |
Direção:
Lars von Trier
Roteiro: Lars von Trier
Elenco: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren
Bacall, Jean-Marc Barr, Paul Bettany, Blair Brown, James Caan, Patricia
Clarkson, Jeremy Davies, Ben Gazzara, Philip Baker Hall |
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Ao criar o movimento Dogma 95, Lars
von Trier e seus amigos conseguiram chamar a atenção
do mundo com filmes mal iluminados, sem trilha sonora, com imagens tremidas
e outras excentricidades. Como até hoje nao foi desenvolvido nenhum filme
que siga à risca (ao mesmo tempo) TODAS as regras propostas, alguns estudiosos
do cinema defendem que o movimento não passa de um golpe de marketing,
para tornar seus autores famosos.
Sem querer julgar ninguém, o fato é que
von Trier chegou a Cannes em 1996 chamando a atenção com Ondas
do destino (Breaking the Waves) e saiu do balneário francês
em 2000 segurando a Palma de Ouro por Dançando no escuro (Dancing
in the Dark). Este ano, o circo estava todo montado para que a cena se
repetisse. Mas o dinamarquês chegou como favorito e saiu de maõs
abanando.
Problema? Nem tanto, o barulho em torno de Dogville
já era bem alto. E não é para menos. A história
se passa numa imaginária cidade americana chamada Dogville. Imaginária
no sentido literal da palavra, pois as paredes, portas e janelas das casas não
passam de riscos no chão (bem ao estilo daquela musica infantil "era
uma casa, muito engraçada, não tinha teto, nao tinha nada").
É neste "cenário" que Grace (Nicole
Kidman) chega foragida, com um grupo de mafiosos no seu encalço.
Tom (Paul Bettany), decide acolhê-la e parte numa campanha
para convencer o resto dos moradores de sua idéia. Como moeda de troca,
ele sugere que ela ajude os moradores, que afinal estavam arriscando suas pacatas
vidas. A loira aceita o trabalho e em pouco tempo Dogville e seus cidadãos
melhoram visivelmente de estilo de vida. Mas com o tempo, o sonho de liberdade
da loira acaba se tornando um pesadelo.
Tempo ao tempo
Dividido em nove partes mais um prólogo,
Dogville dura quase três horas, o que foi considerado um exagero
por muitos. Com medo de não conseguir entrar no gigante mercado americano,
foi desenvolvida uma versão "light", com algo em torno
de duas horas. É verdade que os 177 minutos exibidos na França
sao exagerados, mas as fortes atuações, a trilha sonora e a iluminação
estão tão bem amarrados que o tempo quase passa rápido.
Se existe uma palavra para descrever von Trier,
é pretensioso. Afinal, só assim para explicar que ele quer fazer
de Dogville o primeiro filme de uma trilogia sobre o Estados Unidos.
Detalhe: o diretor morre de medo de andar de avião e nunca foi à
terra de George W. Bush.