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Contra
a parede
Gegen Die Wand
Alemanha/Turquia,
2004
Drama - 123 min. |
Direção
e roteiro: Faith Akin
Elenco:
Birol Ünel, Sibel Kekilli, Catrin Striebeck, Güven Kirac,
Meltern Cumbul, Stefan Gebelhoff
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Sensação dos festivais europeus
de cinema no ano passado e vencedor do Urso de Ouro em Berlim, a produção
alemã Contra a parede (Gegen die Wand,
2004) coleciona justos prêmios de direção, atuação
e melhor filme. O longa de Fatih Akin traz um poderoso melodrama
rock´n´roll regado a sexo e drogas, mas que entrega aos seus protagonistas
uma inusitada sensibilidade romântica como tábua de salvação.
O filme é centrado nos filhos de turcos
na Alemanha, uma geração que vive entre os rígidos costumes
de seus pais e a modernidade do rico país europeu. Os personagens principais
são Cahit (Birol Unel) e Sibel (Sibel
Kekilli), que se conhecem numa clínica para o tratamento psicológico
de suicidas. Ele é um bêbado fracassado coletor de garrafas numa casa noturna.
Ela, uma bela jovem que deseja aproveitar a vida, mas que vive presa aos costumes
da família. Persistente, Sibel convence Cahit a casar-se com ela. Um
casamento de conveniência, sem qualquer tipo de envolvimento, em que ela
cuida da casa e aproveita a distância da família para atirar-se
numa existência hedonista. A relação logo começa
a ultrapassar a barreira auto-imposta da ficção e ambos começam
a desenvolver sentimentos um pelo outro.
Até aí, o longa parece uma óbvia
história de amor. É até bem-humorado, principalmente pela
transformação de Cahit, que passa lentamente de bêbado descontrolado
a marido preocupado. Se fosse em Hollywood, haveria um pequeno desentendimento
para complicar as coisas antes da união derradeira, que deixa o público
com o típico sorriso pausteurizado das comédias românticas...
felizmente, Contra a parede foge dessas estruturas fáceis e
inicia nesse ponto uma série de reviravoltas desconcertantes.
Cego de ciúmes, Cahit provoca uma tragédia
e vai preso. Sem destino, a perturbada Sibel foge para a Turquia, onde não
consegue viver em paz com a prima workaholic. Inicia-se então
um ato de extrema violência, em que a personagem mergulha num comportamento
destrutivo, sem retorno.
Os problemas do casal vão aumentando de tal forma que certas cenas parecem gratuitas numa primeira análise.
No entanto, estão longe disso. Servem para mostrar a medida das personalidades
violentas e lamentavelmente carentes de ambos, algo que é transmitido
com extrema competência por Unel e Kekilli. É impossível
desviar o olhar mesmo nas cenas mais chocantes, tal a força dos atores
e de seus personagens.
A vida imita a arte
Qualidades à parte, os bastidores do longa
também trazem uma história interessante. Depois de aclamada como Melhor atriz em diversos festivais de cinema europeus, Sibel Kekili, 24
anos, foi o centro de um escândalo. Um tablóide alemão descobriu
que ela fez 8 filmes pornôs até 2002 e tentou reduzi-la de promissora
sensação do cinema a artista vulgar. Felizmente, como tantos escândalos
do tipo, a comoção durou pouco e foi resumida com grande estilo
pelo ator alemão Mathieu Carriere (Lutero):
"É melhor sair dos pornôs e chegar ao Oscar que seguir
o caminho contrário".
O único grande revés da situação
foi mesmo a reação do pai da artista - também um turco
- , que declarou nunca mais querer vê-la, já que "a desgraça
é grande demais para a família". Curiosamente, o pai
de sua personagem em Contra a parede tem uma reação idêntica
quando descobre as trapaças da filha.