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O massacre da serra elétrica
The Texas chainsaw massacre
EUA - 2003 - 98 min.
Terror |
Direção: Marcus Nispel
Roteiro: Kim Henkel e Tobe Hooper (filme de 1974)
Elenco: Jessica Biel, Jonathan Tucker, Erica Leerhsen, Mike Vogel, Eric Balfour, Andrew Bryniarski, R. Lee Ermey, David Dorfman, Lauren German, Terrence Evans, Marietta Marich, Heather Kafka
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Ed Gein (1906-1984), um fazendeiro
do estado norte-americano do Wisconsin, provavelmente é um dos maiores
contribuidores do cinema de terror e suspense norte-americano. Curiosamente, ele
não era um escritor ou cineasta, mas sim, um necrófilo, canibal
e um dos mais famosos assassinos seriais dos Estados Unidos. Com seus desvios,
Gein inspirou filmes como Psicose (Psycho,
de Alfred Hitchcock, 1960), O silêncio dos inocentes
(The Silence of the Lambs, de Jonathan Demme, 1991) e O
massacre da serra elétrica (The Texas Chainsaw Massacre,
de Tobe Hooper, 1974), três dos maiores clássicos do gênero.
O sinistro legado de Gein foi mais uma vez lembrado
em 2003, quando o poderoso produtor Michael Bay (Pearl
Harbor, Armageddon) pediu a seus associados que desenvolvessem um filme
de terror simples, pequeno e aterrador. A idéia apresentada foi justamente
uma versão moderna do Massacre da Serra Elétrica de 1974,
com o diretor do original, Tobe Hooper, como co-produtor.
O resultado, apesar de nada ter de original -
algo bastante normal no mar de psicopatas mutiladores que inunda as
telas hoje em dia - agrada pela homenagem e por alguns momentos inspirados,
mas é bem menos corajoso que seu modelo. Enquanto Hooper inovou em seu
tempo com a carniceria do "Cara de Couro", Leatherface
(Gunnar Hansen), o diretor de videoclipes Marcus Nispel apresenta
apenas uma releitura da história, nada chocante para o público
de hoje, quando até senhoras católicas assistem a mutilações
bíblicas e mantém suas refeições sob controle.
De qualquer forma, O massacre da serra elétrica
de 2003 - sim, ele levou inexplicáveis dois anos pra estrear no Brasil
- é um bom entretenimento para os fãs do gênero, que vão
se divertir com a nova versão - feita por Andrew Bryniarski - de um dos psicopatas
mais cultuados da história do cinema. E não se sinta culpado se
você se surpreender torcendo por ele no filme.
Na história, cinco azarados e bonitos
jovens cruzam o interior do Texas em direção a um show da banda
Lynyrd Skynyrd quando seu passeio é interrompido por uma garota que caminha
pelo meio da pista. Traumatizada, ela mal consegue articular sentenças
e o grupo decide ajudá-la. Péssima idéia. Ao se aventurarem
pela região, acabam sendo alvos de uma família local que parece
saída de um circo de aberrações. Não tarda para
que o banho de sangue comece e nem mesmo a Lei, na forma do sherife Hoyt (R.
Lee Ermey, carismático como sempre), pode impedi-lo.
A maior virtude do filme de Nispel é criar
uma atmosfera de perigo iminente durante toda a fita. De fato, os primeiro minutos,
uma montagem a la Bruxa de Blair com uma fita da polícia (narrada
guturalmente por John Larroquette, que participou do longa
de 1974), já deixam o espectador pronto para o suspense. Mas grande parte
do crédito se deve a Daniel Pearl, o diretor de fotografia, que também ocupou a mesma função na produção
original.
Todavia, é na tentativa de se adequar
à estrutura esperada pela audiência que o filme perde qualidade.
A heroína interpretada por Jessica Biel (Blade:
Trinity) insiste em cumprir os desnecessários clichês do gênero.
Grita, corre, cai, corre outra vez. Não é preciso queimar muitos
neurônios pra imaginar o que vai acontecer no final, algo que cai na velha
armadilha do "gancho" para a continuação e tira boa
parte da força do suspense.
Assim, se não supera seu antecessor, pelo
menos a novidade recupera um pouco de seu espírito, o que é muito
mais do que podemos dizer da maioria dos filmes de terror da atualidade.