Jogos mortais 3
Jogos mortais 3
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Jogos
mortais 3
Saw III
EUA, 2006
Terror - 135 min |
Direção:
Darren Lynn Bousman
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Tobin Bell, Angus Macfadyen, Dina Meyer,
Kim Roberts, Shawnee Smith, Bahar Soomekh, J. LaRose, Debra McCabe,
Dylan Trowbridge, Alan Van Sprang |
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Jogos Mortais III (Saw
III) custou por volta de 10 milhões de dólares para ser feito, ninharia
para os padrões de Hollywood. Na tela, percebe-se.
Em 107 minutos de filme há uma única externa. Tomadas de interiores exigem
recursos mínimos, e talvez não haja na produção um único set com mais
de 100 metros quadrados. São, essencialmente, dois espaços: o QG do maníaco
Jigsaw (Tobin Bell) e o complexo em que é mantido Jeff (Angus Macfayden).
Na trama, o sádico torturador desapareceu. Descobrimos que ele está em estado
terminal quando, certa noite, após terminar seu turno no hospital, a doutora
Lynn Denlon (Bahar Soomekh) é sequestrada e levada ao galpão abandonado
onde Jigsaw está à beira da morte. A ela é ordenado que mantenha-o vivo tempo suficiente, até que Jeff, a vítima citada acima, complete o jogo em
que está enclausurado. Se Jigsaw morrer antes do tempo, Lynn também morre.
Era muito comum, nos filmes B dos anos 40, assistir a cenas
fechadas em pequenos set sem que nos fosse dado conhecer o espaço todo. Em
outras palavras: produção barata não se dá ao luxo de construir uma casa inteira,
apenas a sala-de-estar onde transcorre a ação. O problema de Jogos Mortais
III começa aí. Dominar a encenação em um espaço mínimo exige talento.
E o diretor Darren Lynn Bousman (Jogos mortais II), educado
na era do videoclipe, com sua câmera-na-mão tremida, cortes rápidos com flashes
e enxertos nervosos, se enche de artificialismos para dinamizar o espaço,
por medo de não dominá-lo.
É um desperdício - boa parte dos 10 milhões são empenhados na construção
das armadilhas de Jigsaw (o crucifixo levou três semanas para ser feito) e
Bousman não tem a coragem de manter um plano fixo no equipamento, na tortura,
por mais do que cinco segundos. Imagens têm um tempo mínimo para serem registradas
pelo cérebro do espectador. E com a edição vertiginosa que impõe a Jogos
Mortais III, o diretor anula o potencial das cenas. A seqüência
das correntes seria muito mais eficiente - plástica e psicologicamente falando
- se o diretor elegesse uma perspectiva frontal e se afiançasse nela por,
digamos, mais uns dez segundos.
Parece muito difícil para a geração MTV entender: manter a câmera estática
num ponto por algum tempo não é sinônimo de aborrecimento. Pelo contrário, se a intenção é despertar o horror no público, nada melhor do que impor a
visão incontornável de um objeto medonho por um tempo maior. Imagine se a
operação com a furadeira fosse filmada em um único take, o close do crânio...
Isso sim é tortura cinematográfica.
Para fazer justiça, os malabarismos de Bousman dão bom resultado quando é
preciso fazer a transição de uma cena a outra. Há uma variedade de pulos temporais
no filme, indo e voltando na linha cronológica até antes mesmo da trama do
primeiro Saw, e a maneira como o diretor mistura elementos não-lineares
em um mesmo plano - Amanda (Shawnee Smith) atravessando um corredor
e saindo num acontecimento de meses antes, por exemplo - são um maneirismo
que funciona, especialmente para mascarar as limitações de espaço.
As referências aos filmes anteriores, aliás, são frequentes e é indispensável saber
o que veio antes para compreender globalmente a história dos personagens.
Falou-se aqui de muita técnica, das escolhas do diretor, mas o fato é que
Jogos Mortais III está cheio de guloseimas para os fãs, como a reconstituição
do banheiro do primeiro filme. Se o que você procura são esses paliativos,
esbalde-se. Mas se você espera um pouco além do que a clicheria e a covardia visual de
sempre, então vai ter que esperar mais.