A cada dia a Internet prova que seu alcance e
conteúdo são próximos do infinito. Foi lá que o
insano Eli
Roth descobriu um site em que você pagava para matar uma pessoa e
se inspirou para criar O
Albergue (2005). Foi lá também que Nancy Meyers
achou o tema para O amor
não tira férias (The
Hollyday, 2006). Quando planejava suas próximas férias, ela
descobriu um site que facilitava a troca de moradias por uma temporada. O conceito
é simples: você empresta a sua casa para alguém e, ao mesmo
tempo, pega emprestado o local onde esta outra pessoa mora.
No caso da estadunidense Amanda (Cameron Diaz) e da inglesa Iris (Kate Winslet), além da possibilidade de mudar de ares, a troca é uma fuga dos recentes problemas amorosos. Moradora de uma enorme mansão em Los Angeles, Amanda decide tirar férias do seu cargo em Hollywood quando descobre que estava sendo traída por seu namorado. Por sua vez, Iris precisa desesperadamente sair da sua aconchegante casinha no interior da Inglaterra, porque o homem por quem é apaixonada há três anos anunciou seu noivado com outra, e ela está prestes a ficar desidratada de tanto chorar.
A história poderia mostrar as diferenças culturais entre as duas. As casas já demonstram seus estilos bastante opostos. Iris fica louca com a enorme TV na parede, os incontáveis botões eletrônicos, a infindável coleção de DVDs, a gigantesca cama e a piscina. Amanda não consegue preparar seu café, mal cabe na banheira, bate a cabeça toda vez que desce as escadas e não tem lugar para colocar suas enormes malas. Mas em vez disso, Nancy Meyers resolve apostar nas semelhanças. Ou melhor, na semelhança: os corações partidos.
Para superar seus problemas, as duas terão de passar por provas. Amanda terá de voltar a chorar (algo que ela não faz desde que seus pais se separaram) e Iris trocará o papel de melhor amiga que tem em sua própria vida, pelo de personagem principal. E, como todos sabem, para curar um amor, só mesmo outro.
É de maneira despretensiosa que as duas
deixam entrar nas suas vidas Graham (Jude Law) e Miles (Jack
Black). Graham é irmão
de Iris e pára por ali sem saber da troca de casas. Desnecessário
dizer a sua surpresa quando Amanda abre a porta. Miles vai até a casa
da loira no papel de amigo do "ex" que foi ejetado da casa sem tempo
para apanhar suas coisas. Papos vêm, jantares vão e o resto da
história você já sabe como será.
O que diferencia esta das outras comédias
românticas são o elenco que, com exceção de Cameron
Diaz, não é frequentador assíduo do gênero, e a boa
mão da diretora, que desde Do
que as mulheres gostam (2000) e Alguém
tem que ceder (2003) prova saber o que elas (as nossas namoradas/esposas/amigas,
que nos "forçam" a trocar o último 007 por uma comédia
romântica) querem. Ao final da sessão é um tal de lágrima
pra cá, sorriso pra lá e todas as conseqüências que
estas emoções trazem a um sábado à noite.
Mas antes de comprar os ingressos e o chocolate (elas não resistem) saiba que o filme é longo. Para contar as duas histórias Nancy Meyers gasta 138 minutos. Nada que os charmes de Cameron Diaz, Jude Law, Kate Winslet e Jack Black (sim, até ele está charmoso!) sejam incapazes de resolver.