É difícil não gostar
do novo cinema que está sendo produzido na França.
Os cineastas contemporâneos
do país conseguem unir dois pólos absolutamente distintos: a arte e o besteirol
hollywoodiano. Filmes como O fabuloso destino de Amélie Poulain, O
quinto elemento e Rios vermelhos são alguns exemplos de como a ação
e a diversão podem vir embaladas em irretocável estilo.
E estilo é o que
não falta em O pacto dos lobos (Le pacte des loups, 2001),
um dos maiores sucessos de bilheteria na França em 2001. O filme relata os ataques
da besta de Gévaudan, criatura que atacou e dilacerou dezenas de mulheres
e crianças nas regiões rurais de Auvergne e Dorgogne entre 1764 e 1767.
Baseado em fatos
reais, o caso foi amplamente registrado pela nobreza local e atraiu a atenção
do rei Luis XV, que destacou homens e ofereceu recompensas para quem capturasse
ou matasse o suposto monstro. Pouco tempo depois, foi morto um enorme lobo e
os ataques cessaram para sempre. Isso, na realidade... porque no filme, a história
está bem longe do seu fim.
O pacto dos
lobos começa em 1794, em plena revolução francesa. Seu narrador, Thomas
dApcher (Jérémie Rénier), está prestes a ser decapitado pelas massas
revoltosas e decide revelar o segredo dos eventos ocorridos em Gévaudan tantos
anos antes. Uma história que envolve lobisomens, aristrocratas, sociedades secretas,
um índio Iroquai, artes marciais, rituais profanos, espadachins, totens animais,
peiote, prostitutas e o Papa. Precisa de mais argumentos? Desde The Matrix
eu não assistia a um filme com lutas tão estilosas, bem coreografadas e originais.
A história diverge
da realidade quando Gregoire de Fronsac (Samuel Le Bihan), um
intelectual e aventureiro naturalista, e seu companheiro Mani (Mark
Dacascos), um nativo da tribo norte-americana dos Iroquais são escolhidos
pelo rei para investigar os ataques da besta e desvendar seu mistério. Como
se a criatura não representasse problemas suficientes, ambos terão que enfrentar
também as superstições e intrigas da nobreza e do clero local. Como todo bom
suspense, todos são suspeitos. Mas suspeitos de quê, se a besta é um animal?
Quanto aos aspectos
técnicos, O pacto dos lobos é perfeito. A fotografia de Dan Laustsen
transmite uma atmosfera fantástica, arrepiante. A escolha das locações também
é perfeita. Num momento estamos num denso nevoeiro nas colinas, noutro, dentro
de uma nevasca na floresta, um dia ensolarado nos campos, pântanos lamacentos,
grutas escorregadias ou no interior de um bordel rococó.
A sonoplastia é
um caso à parte. Os sons são tão fortes e bem colocados que quase é possível
sentir as patadas de Mani em seus oponentes, numa das lutas do filme (no melhor
estilo um contra quinze). Já os efeitos especiais, apesar de serem um dos únicos
pontos fracos do filme, não chegam a incomodar. Mais um mérito da direção cheia
de atitude de Chistophe Gans, que antes desse dirigiu O combate -
Lágrimas do guerreiro (Crying freeman, 1995), baseado no mangá de
Kazuo Koike e Ryoichi Ikegami, que também tem Dacascos no elenco.
Se tenho a obrigação
de apontar o principal defeito do filme, eu diria que é sua duração. Com duas
horas e vinte minutos, a edição dos franceses perde velocidade em muitos momentos
que poderiam ter sido abreviados. Isso certamente causaria uma melhor aceitação
por parte dos públicos fora da europa, principalmente nos Estados Unidos, onde
o filme não foi bem recebido. Pode aposta que logo, logo, algum gênio terá
a idéia de refilmar a produção de forma mais digestiva para o público ianque.
Só não se deixe
levar pela idéia da história ser baseada num fato real. Isso é mero pretexto
para a ação e aventura. Lembre-se que é apenas um coquetel de gêneros despretensioso
e um entretenimento de qualidade. Não deixe de conferir!
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O pactos
dos lobos
(Le pacte des loups) França, 2001
Direção:
Christophe Gans
Roteiro:Stéphane Cabel / Christophe Gans
Elenco:
Samuel Le Bihan, Vincent Cassel, Emilie Dequenne, Monica Bellucci, Jérémie
Rénier, Mark Dacascos, Jean Yanne, Jean-François Stévenin
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Imagens © Metropolitan
Film Export