Fácil não é criticar Star
Wars Episódio II - Ataque dos clones.
Melhor do que trilogia original
não é. Isso difícil ser. Quando George Lucas, o criador da saga, Guerra
nas estrelas criou, outros eram os tempos. Produto não só de uma mente,
mas também de uma época, os três filmes foram. Impossível a dose repetir.
Deixando o dialeto Yodês
de lado, vamos aos fatos.
Muitos fãs sentiram que
o Episódio I - Ameaça Fantasma ficou devendo. História ruim e pouco atrativa,
um ator mirim constrangedor. Agora, é um grande alívio ver que Lucas voltou
aos trilhos com sua franquia épica. Vinte e cinco anos depois do primeiro filme,
a Força continua forte no cineasta.
O roteiro está melhor amarrado
e foram criadas personagens com maior relevância. Acredite, até o Jar Jar
Binks (Ahmed Best) encontrou seu espaço na trama. Pena que são tantos
e não há tempo para explorá-los todos. Claro que os diálogos continuam beirando
a cafonice (e chafurdam nela nas cenas românticas), mas isso já virou característica
da saga. Até mesmo as cenas de ação estão mais integradas com a história. São
mais curtas, porém mais numerosas e importantes.
Entretanto, o melhor mesmo
é o cenário político. Palpatine (Ian McDiarmid), outrora senador
(e futuro imperador), tornou-se chanceler supremo. Sua ascensão ao poder e a
conseqüente ruína da república estão tomando forma. É um deleite observar as
peças que faltam no quebra-cabeças de Star wars encaixarem-se aos poucos.
Ataque dos clones
também tem o mérito de recuperar o fascínio pelos mistérios da saga. Deixa de
tentar explicar a composição científica da Força e coisas do tipo, e concentra-se
nos motivos que levarão um dos jedis mais promissores da ordem a trair e aniquilar
seus semelhantes. Aliás, Jake Lloyd, o garotinho de Ameaça fantasma,
ficou no passado. Hayden Christensen, que interpreta o jovem Anakin
Skywalker no filme, torna fácil acreditar que vai se transformar no temível
Darth Vader. Seus motivos são fortes. Sua humanidade é visível, em contraste
com a dos outros jedis, totalmente no controle de seus instintos e emoções.
Fica claro que o mestre Yoda tinha razão em temer seu treinamento.
Conexões a história
estabelece
Ataque dos clones
começa dez anos depois dos eventos mostrados em Episódio I.
A república encontra-se
num período de turbulência. Ameaçada por um movimento separatista, liderado
pelo misterioso Conde Dookan (o sempre competente Christopher Lee),
ela teme uma guerra civil intergaláctica. Sua única esperança reside nos ombros
dos combalidos cavaleiros jedi, cujo número é insuficiente para um conflito
em larga escala. Esses acontecimentos, controlados por uma força extremamente
poderosa e ainda desconhecida, levarão ao início da Guerra dos clones
e iniciarão o processo que culminará no fim da república.
Para combater a potencial
ameaça, o chanceler supremo Palpatine, cada vez com mais pinta de político brasileiro,
autoriza a criação de um exército para ajudar os jedi e garante ao senado que
devolverá o poder assim que a crise passar.
Para votar contra a criação
de tal exército, a senadora Padmé Amidala (Natalie Portman) dirige-se
a Coruscant, o coração da república. No entanto, assim que chega ao planeta,
sofre um atentado. Preocupado, o conselho jedi ordena que ela seja levada de
volta a seu planeta natal. Seu acompanhante será o jedi padawan (aprendiz) Anakin
Skywalker, que nutre, em segredo, sentimentos pela bela moça há uma década.
A partir daí, duas tramas
paralelas se desenrolam. Uma mostrando o amor proibido que nasce entre Anakin
e Padmé e sua posterior viagem à Tatooine, de extrema relevância para seu futuro.
A outra traz Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), o mestre de Anakin,
em investigação para descobrir quem está por trás da tentativa de assassinato
da senadora. A convergência entre as duas tramas explode em um batalha espetacular
no planeta Geonosis, envolvendo dezenas de jedis, centenas de andróides, monstros
gigantes e milhares de soldados. Em jogo, o destino da república. Pelo menos,
é o que parece...
Técnico primor
Entretanto, como já era
esperado, é mesmo nos recursos técnicos que se esmera Ataque dos clones.
Tal qual em Ameaça fantasma, os efeitos especiais são absolutamente fantásticos
e incomodam em pouquíssimos momentos. A trilha sonora, novamente criada e orquestrada
pelo lendário compositor John Williams, repete e mistura temas de todos
os outros filmes, modificando e incorporando-os às novas seqüências. Escutar
a Marcha imperial, o tema de Darth Vader, durante as fortes
cenas que mostram Anakin sucumbindo pela primeira vez ao lado negro, já vale
o ingresso.
O filme também estabelece
inúmeras novas relações entre todos os filmes da saga. A continuidade jamais
é deixada de lado. Como exemplo, podemos citar a fazenda da família Lars, vista
pela primeira vez em Episódio IV, que é mostrada bem mais nova
em Ataque dos clones. O desenho original da Estrela da morte também
aparece sendo estudado pelos conspiradores, bem como as naves, que já começam
a se parecer mais com as que conhecemos da trilogia original. Essa preocupação
é evidente até mesmo no figurino e maquiagem. Palpatine está mais pálido e magro,
a caminho de se tornar o decrépito imperador de O retorno de jedi.
Amidala veste roupas e tem cabelos muito semelhantes aos que sua filha Léia
(Carrie Fischer) usará em Uma nova esperança e assim por
diante.
Ataque dos clones
também traz algumas similaridades com O império contra-ataca,
o melhor filme de toda a saga. Porém, nem de longe obtém a mesma dramaticidade.
Ambos possuem romances em seus roteiros e são mais sombrios do que seus antecessores.
Os dois também terminam com muitas dúvidas e pontas soltas. Todavia, ao contrário
de Império, o Episódio II abre caminho para o filme que pode vir
a ser um dos melhores de toda hexalogia, o Episódio III.
Imagine só... no terceiro
filme da primeira trilogia, Lucas terá que mostrar o fatídico destino da ordem
dos cavaleiros jedi e sua extinção nas mãos de Darth Vader, outrora um de seus
mais brilhantes aprendizes. Também veremos o combate entre Anakin e Obi-Wan,
que terminará com o segundo destinado a usar, para o resto de sua vida, a armadura
negra. Também veremos o exílio forçado de Obi-Wan e Yoda nos confins do universo.
Lucas também terá que lidar com a dor da separação de Padmé de um de seus filhos
e o triunfo do mal, do lado negro da força, revelado finalmente no imperador
Palpatine. É ou não é motivo para esperar ansioso até 2005? Se Lucas pelo menos
deixasse outra pessoa cuidar da direção, ficando em sua especialidade - efeitos
especiais e produção -, tenho a impressão de que o filme seria um dos maiores
da história de Hollywood.
Para o final o melhor fica
Voltando ao Yodês... para
o final, o melhor guardei. Caso de mais algum motivo para assistir ao Star
Wars - Episódio II: O ataque dos clones você precise, servir este deve.
Lutar, Yoda decide.
O mestre jedi diminuto,
depois de raios e demonstrações de seu poder mental trocar, o sabre de luz desembainha
e um espetáculo garante.
Agora, se a idéia a você
não empolga, talvez Star wars a sua praia não seja.... ;-)