Deixe na bilheteria do cinema suas expectativas sobre os "filmes de assalto"
- pelo menos se você só tem assistido aos pirotécnicos longas-metragens
do tipo que saíram na última década. Efeito
Dominó (The Bank Job) não tem óculos
escuros, roupas de grife, Brad Pitts, carros exóticos ou planos mirabolantes
cheios de alta tecnologia (bom, o walkie-talkie que aparece era high-tech
na época, vai). Tem é realismo... E uma história do tipo
"boa demais para ser verdade".
O ano é 1971 e um bando de ladrões mequetrefes formado por um
vendedor de carros devendo para a máfia, um fotógrafo, um ator
pornô, um malandro aposentado e uma bela ex-modelo criminosa (ok, o filme
pode não ter uma Julia Roberts, mas tem a super sexy Saffron
Burrows), planejam e executam um plano ambicioso: Roubar os cofres
pessoais do Baker Street britânico durante o fim de semana.
A história é supostamente real. Parte de uma teoria da conspiração
que inclui a família real britânica, silenciamento da imprensa,
agentes do MI-5, movimentos raciais radicais, a máfia do sexo
e policiais corruptos. Sim, quase todos os temas possíveis no cinema,
todos de uma só vez! E, veja só: Funciona. O cauteloso diretor
australiano Roger Donaldson e os roteiristas Dick Clement
e Ian La Frenais fazem um bom trabalho costurando
todos esses retalhos em uma colcha coerente.
É impossível dizer o quanto da história é real
e quanto é inventado (ou inadvertidamente certo), afinal, os três
misturaram fatos, ficção, os poucos artigos existentes da época
e muita fofoca acumulada ao longo de quase quatro décadas para compor
seu filme. De qualquer maneira, a trama resultante é verossímil
e agrada aos fãs do gênero, já que segue as suas regras,
mantendo o suspense do início ao fim, e desenvolve suficientemente bem
os personagens para que você se importe com eles.
Afinal, como não ligar para caras que não entendem coisa alguma
de roubar bancos, meio desleixados e cujas motivações parecem
muito mais relacionadas à quantidade de pints que o dinheiro
roubado pode comprar do que ao roubo em si? Se parece engraçado é
porque o filme tem um certo humor velado. É curioso, mas em outras mãos
ele poderia facilmente ser transformado em uma comédia. Bastariam umas
piadas a mais, exagerar algumas passagens já naturalmente caricatas e
retirar um ou outro elemento mais dramático. Até o protagonista
Jason Statham, aqui com a competente canastrice habitual, se encaixaria bem.
O problema é que falta alguma coisa ao filme... um tempero extra, uma
dose de audácia do quadrado diretor. Estética? Uma linguagem diferente?
Não sei bem precisar o quê. É um entretenimento decente,
mas um tanto esquecível. A história e o bom elenco mereciam aquela
intangível qualidade que transforma um filme de "mais um" a
algo a se ter na estante de casa.
Assista a clipes do filme