A década de 1980 foi marcada por uma série de filmes em que o
herói, geralmente um ex-militar ou comando especial, era obrigado a usar
pela última vez suas habilidades de combate para salvar-se ou defender
sua família. Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger
consagraram o sub-gênero com Rambo e Programado Para Matar
e abriram as portas para um sem-fim de clones.
Vinte anos depois, o herói de ação não é
mais o mesmo. Saíram os músculos inchados e a má atuação,
que faziam um sentido enorme na época, para entrar o realismo e o visual
de "homem comum" de Matt Damon na série Jason Bourne, Daniel
Craig em 007 ou o carequinha Jason Statham em Carga Explosiva.
Agora, o superprodutor francês Luc Besson leva essa
idéia adiante em Busca Implacável (Taken,
2008), numa espécie de amálgama de épocas.
O filme parte da premissa oitentista do ex-militar aposentado, mas coloca Liam
Neeson (Batman
Begins), 56 anos, no papel, algo digno dos nossos tempos. É
como se Jason Bourne tivesse casado, tido uma filha, envelhecido e sossegado.
E seguindo a idéia consagrada, claro, precisa reencontrar a violência
que deixou no passado para buscar sua filha (Maggie Grace,
a Shannon de Lost, aqui morena), sequestrada em Paris por um grupo
misterioso.
A direção de Pierre Morel, diretor de fotografia
de Carga Explosiva e Cão de Briga, em seu primeiro
filme falado em inglês, é obviamente inspirada na já citada
série Bourne, das perseguições de carros às
lutas no estilo Krav Magá. Mas há toda a lógica da investigação
do protagonista e a ausência de traquitanas tecnológicas que o
torna algo distinto, mérito do roteiro de Besson e Robert Mark
Kamen, que, veja só, também escreveram juntos toda a
série Carga Explosiva.
Vale apenas discordar do tom paternalista reacionário do texto. O pai
vivido por Neeson passa o início do filme todo exagerando sua superproteção:
"conheço o mundo, sei como são as coisas",
e não esconde seu descontentamento com a viagem que a virginal mocinha
fará à Europa. Pois acontece justamente o que ele temia... o mundo
é mesmo um lugar perigoso. Melhor ficar cada um na sua bolha, sem desenvolver
seu próprio conjunto de habilidades para encará-lo. De qualquer
maneira, um discurso menor, no qual ninguém vai prestar atenção
enquanto Neeson explode uns malfeitores e esmaga suas traquéias com as
mãos nuas.