Em 2006, o cinema nacional deu uma de Hollywood e repetiu com Se
Eu Fosse Você uma batida fórmula de sucesso oitentista,
a do filme de troca de corpos. Agora, com o espetacular resultado de público
da comédia - o filme nacional mais assistido naquele ano - os produtores
daqui repetem a dose e fazem uma continuação. Igualzinha às
que se fazem por lá. E por que não?
Em Se Eu Fosse Você 2, novamente dirigido por
Daniel Filho, alguns anos após sua primeira experiência
de troca de corpos, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria
Pires) resolvem se separar. As diferenças são inconciliáveis.
Mas o destino novamente resolve interferir, colocando a mente de um no corpo
do outro. Só que desta vez os problemas vão além do uso
do equipamento do sexo oposto e incluem a necessidade de solucionar os pequenos
e grandes dilemas domésticos, como a descoberta que a filha Bia (Isabelle
Drummond), agora com 18 anos, está grávida. E sobra para
o pai planejar casamento e escolher enfeite, enquanto a mãe, de férias,
faz suas coisas "de macho", como jogar futebol.
Mas se a previsibilidade da fórmula segue intacta aqui, com todo o público
sabendo direitinho que é a conciliação a chave para a normalidade,
alguém esqueceu de avisar o casal... Helena e Cláudio (interpretados
novamente com competência e bom-humor pelos dois atores) acham que é
tudo uma questão dos mesmos quatro dias que eles demoraram para voltar
ao normal da última vez. Não muito espertos, vale dizer.
E se o desfecho já é conhecido desde o primeiro quadro, como
se o longa fosse um esquete de Zorra Total, ao menos dá pra
recostar-se na cadeira e aturar a duração da fita com uma ou outra
piada melhorzinha. Só que a burrice dos protagonistas é transmissível,
aparentemente - e mesmo os melhores momentos, as piadas mais engraçadas,
precisam ser explicados por mais óbvios que sejam. Observe, caso você
decida encarar o filme na telona, por exemplo, a cena do baile (claro, tem que
ter um baile!), em que Cláudio, no corpo de Helena, tira o pai do noivo
da filha (Chico Anysio) para dançar. O humor de dois
homens tentando conduzir a dança é físico, visual, não
carece de qualquer explicação. Mas ao final da música,
o veterano humorista solta a pérola "mas a senhora está
me conduzindo". Jura? Achei que estava vendo um filme, não
ouvindo uma novela de rádio...
Nada contra repetir fórmulas ou fazer sequências, mas se o cinema
nacional, nessa assumida (e justa) busca de bilheterias mais gordas, precisa
mesmo buscar inspiração lá fora, que ao menos o faça
copiando apenas os acertos alheios.