Anjos da Noite: A Rebelião, terceiro filme
da série Underworld, mostra o surgimento e a ascensão
da raça dos lycans, os lobisomens rivais dos vampiros. Na trama, o foco
é a disputa medieval entre Lucian (Michael Sheen), emergente
líder dos lycans, contra Viktor (Bill Nighy), cruel
rei vampiro escravista. No meio da briga está Sonja (Rhona Mitra),
filha de Viktor e amor secreto de Lucian.
Conversamos com o diretor Patrick Tatopoulos durante a
Comic-Con do ano passado. Especialista em efeitos especiais conhecido de
filmes como Godzilla e Eu Sou a Lenda, ele assumiu a direção
da série das mãos de Len Wiseman, co-criador
de Anjos da Noite. Confira abaixo como foi o papo.
Como foi sua primeira experiência como diretor?
Foi muito interessante, mas não estranhei muito. Como eu trabalhei
nos efeitos dos dois primeiros filmes senti como se estivesse com a mesma
família, então não foi um desafio muito grande. Me envolvi
bastante em todos os aspectos dos primeiros. Mas ainda assim aprendi muito
neste - e ainda tenho muito o que aprender. Mas foi uma progressão
orgânica pra mim, natural.
Se uma pessoa não viu os filmes anteriores, você acha
que este é um bom lugar pra começar?
Dá pra ver sim. Afinal, este é a origem dos dois outros.
Mas obviamente você aproveitará muito mais este se tiver assistido
aos outros pois há muitos detalhes que remetem aos anteriores.
Fale um pouco sobre os novos personagens que estão sendo mostrados
pela primeira vez.
Sonja é a personagem nova mais importante - e a principal do filme.
Se você se lembrar do primeiro Anjos da Noite, Viktor em determinado
momento diz a Selene que ela o lembra tanto de Sonja.... então elas
dividem muitas semelhanças. Ambas são guerreiras, mas Sonja
é certamente menos sofisticada que Selene e mais durona, pela época
em que vive. Você percebe muitas semelhanças entre as duas -
mas há muitas coisas novas nela também. Outra grande diferença
neste filme é que vemos o mundo através dos olhos dos lobisomens,
especialmente de Lucian. Nos dois anteriores a história foi contada
do ponto de vista dos vampiros. Como os lycans são escravos, o tom
é muito diferente, mais violento, como os próprios guerreiros
lycans.
Foi difícil recriar as sequências de flashback do primeiro
filme?
Foi bem complicado. Pra começar, no primeiro filme é uma
atriz diferente. Não é o fim do mundo, mas se você quiser
fazer igual terá problemas. Os cenários também tiveram
que ser recriados - e temos um visual bem distinto para este, bem mais amplo,
que precisou ser adaptado. Nós nos empolgamos desenhando a morte de
Sonja, até que alguém falou "espera um pouco... ela precisa
ser igual à do primeiro filme", o que nos limitaria muito. O que
fizemos foi misturar um pouco o que existia no primeiro filme com o que estávamos
fazendo neste novo. Mas aí resolvemos nos permitir uma licença
poética - o flashback é uma lembrança emocional, afinal
- é mudamos um pouco as coisas. Nem seria possível fazer idêntico,
já que os atores todos estão 10 anos mais velhos também.
Então visualmente há diferenças, antes eram lembranças,
agora são fatos, mas a história é exatamente a mesma,
que é o que importa.
Os primeiros Anjos da Noite foram um sucesso. Por que vocês
sentiram a necessidade de criar um prelúdio e não uma nova sequência?
Quando Len Wiseman criou o primeiro sentiu necessidade de ter uma história
de fundo bastante detalhada. Então o potencial de franquia da história
nasceu naturalmente. Para este filme queríamos algo que se passasse
no mesmo universo mas que fosse novo, daí a vontade de aproveitar a
história passada e criar um prelúdio. O filme continua azulado,
as personagens são as mesmas, mas é algo bastante novo.
Recriar a estética e a cinematografia eram uma prioridade então?
A estética nem tanto. Os dois primeiros Anjos da Noite são
extremamente góticos. Este aqui não tem nada de gótico
pois se passa em um período histórico anterior ao gótico.
Há muito menos ornamentação - tudo lembra uma tumba.
Quanto ao azul, era muito mais uma decisão do estúdio do que
minha, pois é algo discutido na pós-produção.
O primeiro filme era bastante quente, mas na última hora resolveu-se
criar aqueles tons. O segundo filme, claro, já preveu o uso das cores
azuladas - ainda que tenhamos introduzido mais tons nos cenários. Para
este poderíamos ter mudado a paleta, mas para manter a integração
visual o estúdio e produtores preferiram mantê-la azulada. De
qualquer forma, não é tão azul quanto o primeiro. Afinal,
é a história vista pelos olhos dos lobisomens. É um grande
equilíbrio: temos que trazer coisas novas, mas tomar cuidado para que
essas coisas não tornem o filme muito diferente dos anteriores, descaracterizando
a série.
Você trabalhou em novas tecnologias na criação
dos monstros?
Nos primeiros filmes nossa preocupação era com lobisomens
individuais - não precisávamos mostrar duzentos deles simultaneamente.
Neste vemos centenas de lycans atacando um castelo, então tivemos que
usar mais computação gráfica. Ainda temos os lobisomens
criados por efeitos especiais práticos, como nos filmes anteriores,
mas a escala é muito maior neste. Não dava pra fazer essa multidão
de lobisomens enfrentando centenas de vampiros em uma invasão da mesma
forma que fizemos os primeiros, então fizemos sequências inteiras
totalmente criadas com computação gráfica. Mas rodamos
inúmeras cenas próximas para os ataques corpo-a-corpo. Como
designer, fui muito exigente em relação a essas cenas. A computação
gráfica tinha que ficar perfeita, no nível dos lobisomens criados
com maquiagem - ou melhor!
Você passou de especialista em efeitos e designer a diretor.
Quão difícil foi não ficar se intrometendo no trabalho
do novo especialista?
Foi muito difícil! Mas não deixei de me envolver antes
do início das filmagens. No cinema você tenta adiantar ao máximo
o trabalho que tem a fazer antes de começar a rodar, então discutimos
bastante nesse momento. Mas quando começamos a rodar as jornadas são
tão exaustivas que fica difícil cuidar de tudo, então
você tem que deixar os outros fazerem seu trabalho e confiar. De qualquer
maneira, tentei dar à equipe a mesma liberdade que eu gosto de ter
quando estou trabalhando como designer ou nos efeitos. Quando as filmagens
começaram limitei minha preocupação estética sobre
as criaturas aos ângulos delas. Eu odeio mostrá-las de certas
maneiras - e adoro vê-las de outras. Tive a mesma preocupação
na mesa de edição. Esse é o problema de filmar caras
vestidos com roupas de monstros - às vezes você enxerga o zíper!
Qual foi a participação de Len Wiseman neste filme?
Filmamos tudo na Nova Zelândia, então Len apareceu no set
três dias apenas. Ele é um dos meus melhores amigos e discutimos
esse mundo juntos há vários anos. De qualquer maneira, ele confiou
muito em mim ao me entregar esse filme. Ele assistia aos copiões em
Los Angeles e depois de uns 15 dias de filmagens apareceu lá pra dizer
que todos estavam satisfeitos, que tudo estava bem, deu uma olhada geral e
foi embora. Ele foi mais como um amigo do que como produtor. O envolvimento
dele, porém, foi enorme em relação ao roteiro. Ele foi
fundamental na criação da história e em reescrever o
texto.
O que vocês imaginam a seguir para a série?
Ainda é um pouco cedo para precisar, mas há mais história
a serem contadas - talvez algo relacionado aos primeiros vampiros.
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