Harvey (Dustin Hoffman) é um pianista de jazz que ganha
a vida escrevendo trilhas sonoras para comerciais de televisão. Kate
(Emma Thompson) trabalha para uma agência de pesquisas no principal aeroporto
londrino. Ele viaja para a Inglaterra para comparecer ao casamento da filha.
Na bagagem, uma relação conturbada com a família e a ex-esposa
e sérios problemas no trabalho. Ela, por suas vez, vive às voltas
com uma mãe superprotetora e com suas próprias inseguranças.
Harvey e Kate encontram-se por acaso no aeroporto, depois que ele descobre
que foi despedido e que sua filha prefere ser acompanhada ao altar pelo padrasto.
Do flerte casual - e um tanto melancólico - surge uma amizade verdadeira.
O diretor e roteirista Joel Hopkins perdeu em Tinha
Que Ser Você (Last Chance Harvey) uma oportunidade
incrível de realizar um romance memorável.
Contando com dois dos maiores atores em atividade - Dustin Hoffman
e Emma Thompson -, nos papéis principais, o
cineasta deveria ter colado sua câmera neles, se sentado em sua cadeira
e observado o texto que escreveu criar vida. Porém, resolveu interferir
demais... e o que devia ser um belo drama romântico sobre duas pessoas
se descobrindo tornou-se um amálgama de estilos e clichês pouco
convincente.
Hopkins se perde em montagens açucaradas e subtramas desnecessárias,
esquecendo dos talentos que tem à disposição. Quando é
a dupla que está em cena, disparando seus diálogos, o filme flui
com grande interesse. No entanto, não demora para que o diretor decida
criar sua própria versão de sequências como as batidas moça-experimentando-vestidos,
ou música-romântica-embalando-passeio-com-a-câmera-ao-longe.
Chega a ser constrangedor quando isso acontece.
O cineasta é muito mais feliz quando deixa ambos próximos em
público, andando às margens do Tâmisa e conversando sobre
suas existências. É ali que Harvey e Kate, através de Dustin
e Emma, se tornam personagens verossímeis, com visões realistas
do amor, dos relacionamentos e da vida, duas pessoas que você poderia
ouvir conversar o dia inteiro - mas que Hopkins insiste em interromper. Tremendo
sujeito sem-vergonha esse diretor... segurando vela desse jeito e quebrando
todo o clima.