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Crítica: A Rebelde

Gerações e aceitação em belo filme de estreia de cineasta francês

Érico Borgo
02 de Novembro de 2009
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A Rebelde

L’Insurgée
França , 2009 - 97
Drama

Direção:
Laurent Perreau

Roteiro:
Laurent Perreau

Elenco:
Michel Piccoli, Pauline Etienne, Eric Caravaca, Marie Kremer

4 ovos

 

Laurent Perreau deixou o jornalismo para realizar seu primeiro longa-metragem. A Rebelde (L’Insurgée, 2009) é resultado dessa decisão de vida - e trata justamente disso, de livrar-se do passado e enfrentar o futuro.

A trama é uma história de gerações. A menina Claire (Pauline Etienne) evita qualquer contato com o avô, um compositor recluso. Esgueira-se para dentro e fora de seu quarto, escalando as janelas do casarão rural em que vivem separados. Maurice (Michel Piccoli), o velho, limita-se a aceitar a distância. Deixa envelopes de dinheiro que a menina usa para financiar as noitadas e suas aulas de natação - algo que parece dar-lhe mais prazer do que as noites eventuais com desconhecidos.

A diferença de gerações é gritante, mas o filme nos lembra que por trás das rugas e cabelos brancos do avô existe um homem - alguém com desejos, decepções e um passado. Alguém que teve suas próprias rebeldias na juventude. Já a menina, solitária, não consegue livrar-se do que a mantém temendo o futuro. "Você pensa demais", diz o treinador de natação.

Personalidades tão distintas dividem, inadvertidamente, um sentimento de inadequação tão comum às pessoas. Algo que avô e neta só vão perceber no belo final, cuidadosamente preparado ao longo de todo o drama.

Perreau dirige bem seu elenco. Etienne e Piccoli são muito equilibrados e sabem deixar escapar um espectro de sorriso na hora certa - mostrar o que está sob a carranca de seus personagens. O diretor também filma com economia. Deixa sequências inteiras subentendidas e em uma ocasião, que chega de maneira absolutamente natural, registra a mesma cena sob dois pontos-de-vista. A maneira como enquadra o casarão assombrado por memórias é igualmente competente, quase é possível sentir o cheiro de tudo o que está represado ali.

Considerando o tema escolhido, o novo cineasta parece ter lutado um pouco com sua decisão de vida. Mas tendo em vista o resultado, parece que fez a escolha certa.

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