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Crítica: Patrick, Idade 1,5

Suécia produz enlatado gay - mas segue direitinho o manual de montagem

Érico Borgo
27 de Outubro de 2009
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Patrick, Idade 1,5

Patrik 1,5
Suécia , 2008 - 103
Comédia / Drama

Direção:
Ella Lemhagen

Roteiro:
Ella Lemhagen

Elenco:
Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Thomas Ljungman, Annika Hallin, Amanda Davin

2 ovos

 

Fórmulas e enlatados não são exclusividade de Hollywood há tempos. Até a Suécia já está produzindo suas dramédias simplistas e previsíveis - ainda que o faça seguindo direitinho as regras, uma conhecida característica desse povo ordeiro e supercivilizado.

Não há um acontecimento sequer em Patrick, Idade 1,5 (Patrik 1,5, 2008) que você não consiga ver chegando minutos antes de acontecer. A diretora Ella Lemhagen, porém, brinca com certas expectativas, criando humor e alguma novidade justamente ao deturpar pequenos momentos consagrados. A cena clássica da tristeza e choro na chuva, por exemplo, batidíssima, termina com o protagonista chutando uma lata de lixo furioso... para segundos depois, arrependido, ficar ali apanhando toda a porcaria que fez.

Esse sujeito é Göran Skoogh (Gustaf Skarsgård), médico casado com Sven (Torkel Petersson) e desesperado por um filho seu. O parceiro reluta - afinal já tem uma filha adolescente que mora com a mãe -, mas aceita entrar com um pedido de adoção. O problema é que país algum vê com bons olhos a adoção por casais homossexuais... até que chega uma ficha, a de Patrick, idade 1,5 ano, e tudo parece caminhar para um belo desfecho. Pena que quando o garoto chega nota-se que a vírgula na idade foi datilografada errada: ele tem 15 anos e é um rebelde homofóbico (Thomas Ljungman).

Você já deve imaginar como a trama leve vai se desenrolar. Mas se não causa qualquer surpresa, ao menos o longa se sustenta nas situações divertidas e na qualidade da atuação. Skarsgård é impagável como Göran e Ljungman o acompanha bem. Há também momentos realmente bons, como uma elipse em que o quarto de bebê é preenchido enquanto os personagens o descrevem a uma visita.

Obviamente, por se tratar de um filme com temática gay, não poderia faltar também o velho subtexto de conscientização. Mas é tão sutil (onde foi parar o conflito com o vizinho homofóbico?) que não incomoda. Ao final, é o tema da paternidade que prevalece. E se Lemhagen segue direitinho as regras, ao menos cola uns decalques no produto acabado para que ele fique remotamente diferente.

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