Nove
em cada dez revistas que falam sobre entretenimento estamparam fotos de Harry
Potter na sua capa. As que não fizeram isso, trabalham para falar nas suas
próximas edições sobre este menino que aos 11 anos descobre ser um dos bruxos
mais famosos do mundo.
Os personagens criados por J.K. Rowling se tornaram sinônimo de lucro certo e estão em jogos para videogame, latinhas de Coca-Cola e brinquedos. Esta onda se intensificou com a produção cinematográfica de Harry Potter e a Pedra Filosofal, o primeiro livro da série.
Desembolsando a bagatela de US$ 700 mil (ou seja, nada em relação aos lucros astronômicos que o filme promete), o produtor David Heyman garantiu em 1997 os direitos de transformar o ainda inédito primeiro livro e seu sucessor em filme. Com a parceria do estúdio Warner Bros Pictures deixou o roteiro nas mãos de Steve Kloves (Garotos Incríveis, 2000). Embora não esteja no texto oficial que a WB envia à imprensa, Steven Spielberg era o nome preferido para a cadeira de diretor, mas ele optou por realizar A.I. Inteligência Artificial, o projeto inacabado de seu amigo Stanley Kubrick. Quem se deu bem foi Chris Columbus (Esqueceram de Mim, Uma Babá Quase Perfeita), discípulo de Spielberg, que acabou herdando o posto.
Logo no primeiro encontro com J.K. Rowling, Columbus ganhou sua confiança e simpatia. Ele dizia fazer questão de um filme bem fiel à criação da escritora escocesa, totalmente rodado na Inglaterra e com atores ingleses. O golpe de misericórdia: ela teria carta branca para opinar nas decisões, algo que não constava no contrato da criadora.
Separando os atores bruxos dos atores trouxas
A
escolha do elenco agradou à maioria dos fãs desde seu começo. Era inegável a
semelhança física entre o jovem Daniel Radcliffe e Harry Potter.
Fora isso, uma curiosidade jogava a seu favor. O ator nasceu na mesma data que
a autora havia determinado como aniversário de seu personagem: 31 de julho (data
do aniversário de J.K. Rowling também). Ou seja, Harry e Daniel “nasceram” no
mesmo dia!
Emma
Watson está muito bem no papel de Hermione Granger, a estudiosa filha
de trouxas (forma como os bruxos chamam as pessoas sem poderes mágicos), que
no começo é muito arrogante, mas logo se torna uma das melhores amigas de Harry.
Rupert Grint é quase tudo o que Rony Weasley é no livro. Só não
ficou mais idêntico porque Columbus optou por abrandar a falta de dinheiro do
clã Weasley e, conseqüentemente, o sofrimento do menino que tem que se contentar
com as roupas, a varinha mágica e até o mascote que um dia foram dos irmãos
mais velhos.
Um
fato que não passa despercebido na fita é a estatura do gigante bonzinho Rúbeo
Hagrid. O diretor usou à exaustão (e com maestria) os ângulos de câmera
para tornar o ator Robbie Coltrane ainda maior. Quando a cena mostrada
pelo ponto de vista dos alunos, a filmadora está bem abaixo de sua cintura,
olhando para cima. E quando é Hagrid quem se dirige aos bruxinhos, a câmera
fica acima de seus ombros, olhando para baixo e deixando os meninos quase minúsculos.
ILM pega o Pomo de Ouro
A versão cinematográfica tem quatro cenas que merecem destaque. Duas delas porque foram criadas por J.K. Rowling especialmente para o filme (se você quiser saber quais, marque o texto a seguir com o mouse: A primeira se passa dentro do Expresso de Hogwarts. Lá, Hermione conserta os óculos de Harry (nos livros isso só acontece quando o Sr.Weasley arruma os óculos de Harry após o uso do pó de flu no segundo livro). A segunda é quando Hermione leva Harry até a sala de troféus e mostra que o pai dele foi campeão de quadribol jogando como Apanhador (a mesma posição de HP). No troféu ao lado lê-se Madame Hooch - Apanhadora - que também foi campeã no passado). A terceira é a seqüência em que Harry compra sua varinha mágica na Olivaras. A última mostra o menino bruxo montando uma vassoura e voando atrás da chave com asas que vai abrir a porta da sala onde jogarão a partida de xadrez de bruxo tamanho gigante. No filme, a tal “Câmara das Chaves” só perde no nível de adrenalina para o esperadíssimo JOGO DE QUADRIBOL.
A
partida de quadribol (o esporte número um dos bruxos) entre as casas Grifinória
e Sonserina é uma daquelas cenas que vale o ingresso do cinema. Desenvolvida
por meio de computação gráfica (claro!) pela Industrial Light and Magic
(CLARO!!!), o jogo é três vezes mais emocionante quando visto na telona. Pode-se
dizer que desde que o jovem Anakin Skywalker participou da corrida de
Pods, em Star Wars - Episódio I, não se via algo tão divertido e emocionante
ao mesmo tempo.
Bruxaria sem alquimia
Mas
nem tudo o que Chris Columbus tocou virou ouro. Algumas partes do livro tiveram
que ser cortadas, ou suprimidas, para que o filme não ficasse ainda mais longo
que os seus 152 minutos. Por exemplo, o diretor “correu” com a seqüência em
que o Tio Válter tenta impedir que Harry receba a carta que conta a ele
sobre Hogwarts. Um pouco depois, os Dursley (tios que criaram Harry até o seu
11º aniversário) saem de sua casa rodeada por corujas para aparecer, de uma
hora para outra, num casebre no meio do mar. Quem leu o livro vai se lembrar
o crescente desespero do tio a cada nova carta entregue. Os que não leram podem
se assustar com a falta de continuidade. O mesmo problema ocorre mais para o
final, quando Harry e seus amigos descobrem o mistério sobre a Pedra Filosofal.
Parece que tinha alguém gritando: “vamos logo que o tempo está acabando!”
Um último ponto negativo que deve ser registrado é a falta de importância que o filme deu para a competição entre as casas e até mesmo para a Copa de Quadribol.
Não há bom nem mau, só existe o poder!
Os
defeitos levantados são tão pequenos perto da dificuldade que é traduzir para
a película um livro que já vendeu 110 milhões de cópias ao redor do mundo e
que os fãs conhecem tão bem. Os produtores não cometeram atrocidades como mudar
completamente personagens. O máximo visto em cena foi “transformar” os três
centauros em apenas um (Firenze), algo completamente aceitável, levando-se
em consideração a real importância dos outros homens-cavalo na história.
Toda esta preocupação em fazer Harry Potter e a Pedra Filosofal bem feito tem um propósito simples e que está sendo alcançado. Os US$ 125 milhões que a Warner declara ter gastado na produção devem retornar aos seus cofres num simples passe de mágica. E olha que este é apenas o primeiro de uma série de sete livros sobre as aventuras do menino bruxo. Gringotes vai ficar pequeno para a fortuna da escritora J.K. Rowling e quem ficar com Harry.
Confira o ESPECIAL HARRY POTTER do Omelete.
Imagens © Warner Bros.
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