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Watchmen - Visita ao Set Parte 1 - Introdução

Entenda por que Watchmen mudou tudo e os motivos que levaram Zack Snyder a aceitar o projeto

ÉB
18.02.2009, às 18H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H45

Watchmen mudou tudo. Na década de 1980, a graphic novel de Alan Moore (roteiro) e Dave Gibbons (ilustração) caiu como uma bomba no mundo das histórias em quadrinhos. Com seu realismo fantástico, metáforas sócio-políticas e temática adulta, o gibi, ao lado de O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, redefiniu os super-heróis. De coloridos e unidimensionais eles passaram a sombrios, mais ancorados na nossa realidade e violentos. Era o fim do "Wham! Soc! Pow!".

Não apenas a minissérie em doze partes sacudiu os conceitos estabelecidos das HQs como também ajudou a dar a elas relevância literária. Antes de Watchmen seria improvável ver uma obra de arte sequencial na lista dos 100 maiores livros da revista Time, por exemplo.

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Objeto de verdadeiro culto, a graphic novel causou polêmica quando foi anunciado um filme que a adaptaria ao cinema. Complexa, longa e repleta de ínfimos detalhes e subtramas intrincadas, a obra parecia inadaptável. Além disso, o retrospecto de adaptações de quadrinhos de Alan Moore não era animador. Do Inferno, A Liga Extraordinária, V de Vingança... apenas a última conseguiu algum sucesso em trazer à vida as idéias do quadrinista.

Felizmente, todo o processo de adaptação de Watchmen não foi apressado. O produtor Larry Gordon tem os direitos sobre a adaptação há 19 anos e a levou a inúmeros estúdios. Roteiristas, cineastas e produtores entraram e saíram do projeto - o que inclusive gerou a alardeada disputa judicial entre Warner Bros. e Fox - e foi criado um verdadeiro sem-fim de idéias sobre como a produção deveria ser realizada. Pensou-se em trazer a trama para os dias atuais, em adaptar a Guerra Fria ao terrorismo, em fazer um filme de ação com censura 13 anos...

Mas enquanto o projeto circulava pelos escritórios de Hollywood, lá fora o panorama lentamente mudava... os heróis coloridos subitamente saltavam e voavam pelas telas, sem lá muito critério a não ser o apelo às audiências adolescentes. Nas telas, os quadrinhos passavam por um momento equivalente à década de 1980.

Enquanto a cultura pop era inchada por superseres, grandes fãs de quadrinhos - e profissionais da área, se mobilizavam para dar às adaptações cinematográficas a seriedade que elas experimentavam nas páginas. Sin City abriu as portas para 300 e esta rendeu a Zack Snyder, seu diretor, o convite da Warner Bros. para dirigir Watchmen.

Snyder imediatamente recusou o trabalho. Como qualquer grande fã de quadrinhos, ele sabia que a HQ não poderia ser adaptada. "Só que aí percebi que eles a fariam de qualquer jeito. Se não fosse eu, seria outro - e confio mais no meu trabalho, já que adoro o material, do que em um diretor que não tem a mesma paixão por Watchmen", nos disse o cineasta numa noite gelada em Vancouver em dezembro de 2007.

No interior de uma tenda, cercado por aquecedores a gás (que muito pouco adiantavam naqueles 10 graus negativos), Snyder conversava conosco enquanto aguardava o posicionamento das câmeras na cidade cenográfica que ele construiu para o filme no Canadá, no novíssimo Canadian Motion Picture Park. "Então decidi aceitar. Pelo menos eu estou tentando fazer algo o mais fiel possível. Não dá pra estragar Watchmen", continuou. "É um tremendo desafio adaptar a maior graphic novel de todos os tempos, mas também uma diversão incrível e um privilégio. Levantar de manhã e ver essas páginas criando vida é muito bacana", completou entusiasmado o cineasta. "Aos poucos consegui convencer o estúdio que o filme ficaria melhor se fosse o mais fiel possível à HQ".

Mas o que Alan Moore, o autor, pensa do filme? "Alan tem a posição dele e eu a respeito. Ele não nos perturba, nós não perturbamos ele. Sabemos o que ele pensa de adaptações de quadrinhos. Mas o que eu diria a ele se pudesse seria 'olha cara, eu prometo fazer o melhor filme que conseguir'. Não imagino nem por um segundo que o filme deva tentar substituir a graphic novel. Pelo contrário. Espero que todas as pessoas que assistam ao filme tenham vontade de ler a HQ, que é muito mais completa. Consigo viver com a ideia que o filme possa ser uma propaganda de 2,5 horas da obra original. Está bom assim. Significa que fiz meu trabalho direito", seguiu.

Ajeitando-se em sua cadeira e esfregando ao mãos perto do aquecedor enquanto seu diretor de fotografia conversava com os câmeras e os extras eram posicionados, Snyder continuou: "Para mim, o mais interessante sobre Watchmen é sua ligação com a cultura pop. A história coloca um espelho diante da cultura pop, a cutuca. O mundo de hoje aceitou os super-heróis como nossa mitologia moderna. O cinema nunca teve aceitação tão grande aos super-heróis como hoje em dia. O cinema está hoje onde os quadrinhos estavam quando Watchmen foi publicado e espero que a história tenha o mesmo impacto ao público que a obra teve, lançando os mesmos questionamentos sobre moralidade. A cada filme de super-herói que sair de hoje até a estreia do filme isso só vai aumentar", concluiu temporariamente o diretor, quando uma assistente veio avisá-lo que ele era necessário em outro lugar. Nos encontraríamos novamente mais tarde. Assim, retomei minha visita ao set canadense.

Visita ao Set - Parte 2 - Cenários - em 24/2

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