Se você leu os três primeiros volumes, deve estar louco para abrir mais este. Se não leu, com certeza, está se perguntando como é que a molecada de hoje, viciada em videogame e diálogos do tipo “tá ligado que é o seguinte” resolveu ler esse calhamaço. Aos veteranos da série Harry Potter só um conselho: segure-se. A história desta vez é muito mais pesada (não, não estou falando do tamanho do livro, cabeça-de-mamão) do que os volumes anteriores.
Logo no primeiro capítulo, que andou circulando nas mãos de quem comprou o livro em pré-venda pela Internet, um homem é morto por um poderoso raio de luz verde. Os leitores vão reconhecer aí o modo como Voldemort matou os pais de Harry Potter. Isso mesmo, caro não-iniciado. A série de livros infantis que colocou crianças do mundo inteiro na fila da livraria está repleta de mortes. No primeiro livro, e em vários momentos dos volumes seguintes, é a morte dos pais de Harry que vai sendo contada em detalhes. Neste, os leitores passam do ataque a este inocente não-bruxo (trouxa no vocabulário de Harry Potter) até a morte de um aluno de Hogwarts.
Muita gente levantou dúvidas se a história não estaria ficando sangrenta demais para os filhos. Joanne Rowling, no entanto, repetiu o que vem dizendo há algum tempo: ela nunca escreveu especificamente para o público infantil. Talvez por isso faça tanto sucesso com as crianças, que detestam livros que as tratam... bem... como crianças.
O livro, é claro, não se resume ao drama, e Harry Potter continua tão divertido quanto nos três volumes anteriores. Em O cálice de fogo, nosso herói novamente tem a chance de sair da casa dos tios alguns dias antes do início das aulas, desta vez para acompanhar os amigos Ronny e Hermione até a Copa do Mundo de Quadribol. Com tantos bruxos e bruxas reunidos, alguns momentos são realmente gozados, como quando um velho mago, tentando parecer uma pessoa comum, usa uma florida camisola feminina.
Hermione também garante parte da diversão, quando resolve criar um movimento para garantir direitos trabalhistas para os elfos que fazem o trabalho doméstico na escola. Ainda mais que o movimento é feito contra a vontade de seus beneficiários.
Em Hogwarts, a competição tradicional entre as casas (os alunos são divididos em quatro casas que recebem pontos por quase todas as atividades) deste ano é substituída por um torneio com mais duas escolas, Beauxbaton e Durmstrang. Uma novidade, já que, até o momento, os leitores viam Hogwarts como a única escola de magia existente. Proibido de competir devido à idade, Harry acaba envolvido graças à interferência de Voldemort. É tudo que os leitores precisam para roer as unhas, enquanto Harry tenta passar pelas provas e encara uma repórter sensacionalista. Obviamente, não é ele que morre, mas isso não impede seus fãs de chegarem ao final do livro um tanto sem fôlego. E ainda mais ansiosos para saber o que acontece em Harry Potter e a Ordem da Fênix, que Joanne Rowling ainda está escrevendo. E que só deve ser lançado em 2002.
O jeito é rever os melhores momentos até lá, ou até a estréia do filme. E se você continua não entendendo o porquê de tanto sucesso, sugiro os dois primeiros volumes. Só para começar.
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