Novidades Musicais (5 de abril)
Vixen, Holy Moses, Lacrimosa, Asrai, Vanilla Ninja, In This Moment
Vixen - Live & Learn
Formada em Minnesota nos EUA no meio da década de 80 pela guitarrista Jan Kuehnemund, a Vixen é uma das bandas de rock formada exclusivamente por mulheres mais bem sucedidas do mundo - ou, melhor dizendo, o foi por um breve período. Pouco após sua formação, a banda se mudou para Los Angeles, onde fez alguns shows e ganhou bastante popularidade. A banda conquistou seu lugar ao sol ao fim da década de 1980, com os álbuns Vixen (1988) e Rev It Up (1990), ambos lançados pela EMI, e que lhes proporcionaram excursionar ao lado de nomes consagrados do pop e hard rock, como Bon Jovi e Scorpions. Apesar de todo esse sucesso inicial, em 1991 a banda se separou, voltando a se reunir apenas em 1998, quando gravou um álbum (Tangerine), que passou praticamente despercebido e levou a um segundo fim. Em 2001, Jan resolveu ressuscitar o Vixen, que passou a contar com a vocalista Jenna Sanz-Agero, a baixista Lynn Louise Lowrey e a baterista Kat Kraft, formação que se mantém até hoje e que, em 2006, gravou seu quarto álbum, Live & Learn, lançado recentemente por aqui.
Apesar de ser o 4º álbum de sua carreira, o fato é que a mudança de praticamente todas as integrantes cobrou seu preço da Vixen. Live & Learn é um álbum bastante homogêneo mas, aqui, isso não é exatamente um elogio. O fato é que, com exceção de um bom refrão aqui (como na faixa de abertura, “Anyway”), um bom riff acolá, (em “I Try”), uma balada (“Don’t want It Anymore”) e uma boa versão para “Suffragette City”, música de David Bowie, não há nenhuma canção que realmente se destaque em todo o álbum. Não nego que seja uma audição agradável, um pop rock esforçado, e que o álbum melhore a cada "play", mas dificilmente alguma dessas músicas vai grudar em sua cabeça. O que se pode dizer de Live & Learn é que ele é um recomeço razoável para a banda que, esperamos, volte a alcançar melhores resultados no futuro.
Holy Moses - Agony of Death
Pouca conhecida, o Holy Moses foi fundado em 1980, na Alemanha, pelo então baixista Ramon Brüssler e pelo guitarrista Jochen Fünders. O diferencial do grupo, a vocalista Sabina Classen - que acabaria assumindo a banda para si nos anos seguintes - entrou para o Holy Moses em 1981, junto com seu marido, o ex-guitarrista Andy Classen. O primeiro álbum da banda, Queen of Sian seria lançado apenas em 1986 e apresentou ao mundo uma das primeiras vocalistas a cantar de maneira gutural no metal. Sério, quem escuta Holy Moses pode pensar, a princípio, que o vocalista é um homem.
A banda logo chamou a atenção na cena underground alemã e emendou diversos álbuns que foram muito bem recebidos por crítica e (pelo restrito) público, como Finished With The Dogs (1987), The New Machine of Liechtenstein (1989) e World Caos (1990). Ali por volta de 1993 a banda se desfez, quando Sabina decidiu se dedicar a um projeto paralelo, o Temple of the Absurd. Remodelado e contando agora com os guitarristas Michael Hankel e Oliver Jaath, o baixista Thomas Neitsch e o baterista Guido Richter, o Holy Moses retomou as atividades em 2001. Agony of Death é o terceiro álbum da banda desde sua volta.
Confesso que conhecia muito pouco do Holy Moses até Agony of Death chegar em minhas mãos. O que o álbum apresenta é um thrash metal muito bem feito, com riffs de guitarra matadores e diretos, sem muitas frescuras nem variações, o que acaba sendo um demérito, já que algumas músicas podem soar um tanto quanto repetitivas. A abertura, “Imagination”, é um belo cartão de visitas, com seu ritmo rápido e direto, com ênfase nos vocais de Sabina. Outros destaques do álbum são a curta “World In Darkness”, a longa “Pseudohalluzination" e “Schizophrenia”. O álbum ainda tem uma penca músicos de convidados, como Marcel Schmier (Destruction), Ralph Santolla (Deicide) e Henning Basse (Metalium), dentre outros.
No frigir dos ovos, Agony of Death é um bom álbum tanto para os fãs da banda quanto é uma bela apresentação para aqueles fãs de thrash metal que, como eu, não conheciam o Holy Moses.
Lacrimosa - Sehnsucht
O Lacrimosa é uma das bandas mais cultuadas no underground do gothic metal e uma das mais respeitadas e reverenciadas dentre os fãs da cultura gótica e darkwave. A banda foi formada na Alemanha em 1989 pelo vocalista Tilo Wolff, então único membro fixo do Lacrimosa. Em 1993 a vocalista finlandesa Anne Nurmi, que havia trabalhado como tecladista contratada em uma turnê, passou a fazer parte de maneira permanente.
“Sehnsucht” (palavra alemã que pode ser traduzida como “saudade”) é o décimo album da dupla e se percebe logo de cara que a música do Lacrimosa está passando por uma fase de mudanças. As músicas estão mais curtas do que nos álbuns anteriores e, ainda que haja uma presença maciça e constante de orquestrações por todo o álbum, é notável o fato de Tilo Wolff ter dedicado mais tempo elaborando os riffs de guitarras das 10 músicas presentes em “Sehnsucht”. Isso torna o álbum um pouco menos difícil de ser digerido e, ao mesmo tempo, não afasta os fãs de longa data, já que “Sehnsucht” traz todos os elementos característicos do Lacrimosa, inclusive a insistência de Wolff de cantar em sua língua natal. Das 10 músicas, apenas duas tem letras em inglês e apenas em “A Prayer for your Heart” o vocal de Anne aparece com mais destaque.
No fim das contas, “Sehnsucht” é basicamente reservado aos fãs do estilo ou da banda em si.
Asrai - Pearls In Dirt
Outra banda advinda dos anos 1980, o Asrai foi fundado na Holanda em 1985, na época sob o nome de Twins No Twins. Nos dois anos seguintes, a banda lançou 4 demos e em 1988 passaria a se chamar Asrai. Seu primeiro álbum, As Voices Speak só foi lançado em 1997 e chamou atenção suficiente na Holanda para que a banda conseguisse um contrato com a gravadora Transmission Records. Touch in the Dark, o segundo álbum, foi lançado em 2004 e chegou a praticamente toda a Europa, Ásia e América do Sul. O terceiro álbum, Pearls In Dirt demorou menos e chegou ao mercado em 2007 na Europa e no Brasil em fevereiro desse ano.
Formada por Margriet (vocal), Karin (bateria) - únicos membros remanescentes da formação original - Rik (guitarra), Martin (baixo), e Manon (teclados), Pearls In Dirt mostra-se um álbum bastante variado. Ainda que focado no gothic metal, ele é um retalho de influências que absorvem desde a new wave ao heavy metal, passando pelo pop e mesmo o punk, sem deixar de lado as indispensáveis baladas, aqui representadas por “Stay with me” e “Something I said”. Músicas como “Delilah’s Lie”, “Awaken” e “Roses” são algumas das amostras dessa variedade apresentada pelo Asrai, que deve agradar em cheio os fãs desse estilo musical.
Vanilla Ninja - Love Is War
Formada no começo da década na Estônia, o Vanilla Ninja conseguiu um relativo sucesso na Europa, especialmente no leste do continente, graças ao seu pop rock - mais pop do que rock, verdade seja dita - e ao visual de suas integrantes, todas garotas muito atraentes. Love is War é o quarto álbum das meninas (o terceiro a chegar por aqui), que atualmente são um trio formado por Lenna Kuurmaa (vocal e guitarra), Piret Järvis (vocal e guitarra), Katrin Siska (vocal e teclado).
Com 14 faixas, sendo 2 bônus, Love is War não traz novidades com relação aos álbuns anteriores da banda. Lá estão os refrões grudentos, as melodias dançantes, letras bastante alegrinhas e pra cima e, claro, as baladas açucaradas que não podem faltar nesse tipo de trabalho. Tudo bastante acessível e comercial, o que não é, nem de longe, um demérito. Já que a proposta da banda não é ficar sempre se reinventando, dar aos fãs o que eles querem parece ser o melhor caminho.
No frigir dos ovos Love is War agradará em cheio os fãs das estonianas e mesmo quem gosta de um pop rock “fofinho” que não reinventa a roda, mas que também não incomoda.
In This Moment - Beautiful Tragedy
O In This Moment foi formado em 2005, em Los Angeles, quando a vocalista Maria Brink se juntou ao guitarrista Chris Howorth. Logo de cara os dois perceberam que tinham algo muito especial juntos. A dupla completou a formação da banda ao recrutar o guitarrista Blake Bunzel, o baixista Jesse Landry e o baterista Jeff Fabb. Três anos mais tarde o In This Moment já estava abrindo um show de Ozzy Osbourne com ingressos esgotados no renomado Madison Square Garden, para a divulgação de seu primeiro álbum, Beatiful Tragedy, lançado em 2007 por lá e esse ano por aqui.
Com um pé firmado no metalcore, o In This Moment faz um som que não se diferencia muito de nomes consagrados no gênero, ou seja, riffs rápidos, acompanhamento pesado e o vocal de Maria, que varia do gritado ao mais convencional, com proeminência do primeiro. Há alguns deslizes e exageros, especialmente da vocalista, mas isso pode ser atribuído ao fato de esse ser apenas o primeiro álbum da banda que, espera-se, amadureça e apresente trabalhos melhores no futuro. Apesar disso, “Beautiful Tragedy” tem tudo para agradar os fãs do gênero. Como destaques individuais temos a faixa-título, “Prayers” e “The Legacy of Odio”.
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login no Omelete e participe dos comentários