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Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos | Filme luso-brasileiro é o favorito da mostra Un Certain Regard de Cannes

Protesto em prol da demarcação das terras indígenas marcou a sessão
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Iniciada com um protesto nas escadarias do Palais des Festival em prol da demarcação das terras indígenas e do fim dos etnocídios, a sessão da coprodução luso-brasileira Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, na mostra Un Certain Regard do 71º Festival de Cannes, terminou com um desabafo de um veterano crítico francês: “Não há razão de um filme bonito como esse não estar concorrendo, sobretudo diante de tanta bobagem que foi indicada este ano por aqui”. Metros adiante, um resenhista espanhol disse o mesmo ao Omelete: “Em 30 anos de carreira, eu nunca vi uma abordagem da realidade dos índios tão íntima e tão poética”. O aplauso vigoroso no fim da exibição já era indício de algo positivo para este ensaio metafísico sobre o virtude e o fardo de tradições e rituais entre o povo Krahô, rodado pela paulista Renée Nader Messora e pelo lisboeta João Salaviza em terras do Tocantins, em película 16mm.

Estive lá em 2009, para trabalhar num filme sobre o registro de uma festa de fim de luto, ritual feito um ano depois de uma morte, e acabei me encantando por aquele universo”, disse Renée, antes da exibição, quando ela e seus colegas exibiram cartazes cobrando o fim do genocídio indígena e a proteção do espaço dessas populações. “A ideia de ‘Chuva...’ é ser um filme horizontal sobre as transformações de uma espécie, feito com os Krahô, mas como ficção”.

A partir de uma delicadíssima construção visual, pautada por uma aproximação suave entre a câmera e os corpos dos índios, Renée e Salaviza acompanham a luta do jovem Ihjãc (Henrique Ihjãc Krahô) para lidar com um ritual funeral que exige dele um entendimento da permanência e da finitude. É um filme filosófico, de ritmo lento, mas de uma beleza plástica arrebatadora, que abre uma cultura distante para as plateias de Cannes. É o longa de maior cacife entre os concorrentes da Un Certain Regard, que serão julgados por um júri presidido pelo ator Benicio Del Toro. Seu título internacional é The Dead and The Others. Vale lembrar que um outro longa nacional sobre índios, o documentário Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, foi premiado com uma menção honrosa no Festival de Berlim.

Nesta quarta (16), em sua competição, Cannes recebeu o coreano Burning, de Lee Chang-dong, no qual um rapaz aceita cuidar do gato de uma amiga por quem se encanta. Um fetiche piromaníaco do personagem literalmente aquece o tom de mistério do novo filme do realizador de Poetry (2010). Na madrugada, a Croisette foi pra cama nos acordes de "Run To You" e "I’ll Always Love You", do filme O Guarda-Costas (1992), que tem seus bastidores retratados no documentário Whitney, de Kevin Mcdonald (O Último Rei da Escócia), encarado aqui como sendo um concorrente ao Oscar nato. É um estudo sobre a carreira de Whitney Houston (1963-2012), como cantora e atriz, ressaltando os episódios mais trágicos de sua vida.

Na quinta, Cannes recebe um potencial risco para Spike Lee e seu BlackKklansman no que diz respeito ao favoritismo do cineasta americano na briga pela Palma de Ouro, com seu thriller sobre um policial negro infiltrado na Ku-Kux-Klan. Há quem diga que a libanesa Nadine Labaki tem tudo para ser a segunda mulher a ganhar uma Palma, com seu Capharnaüm. Antes dela, só a neozelandesa Jane Campion levou o prêmio, com O Piano, em 1993. O festival termina neste sábado, com a premiação e a projeção do novo Terry Gilliam: The Man Who Killed Don Quixote. O Brasil já ganhou uma homenagem significativa na Croisette este ano: o Grand Prix da Semana da Crítica, conquistada nesta quarta por Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, também em duo do cinema nacional com Portugal.

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Já passou da hora dos índios serem evangelizados e integrados a sociedade...claro que isso não pode ser forçado...

se já partiu pra ofensa, é fã do Bolsolixo (quase 99% de certeza). Iguais ao seu mito, eles não conseguem manter um diálogo em um nível civilizado.

Não pode abolir, senão perderíamos comentários sensatos feito esse seu! Concordo em gênero, número e grau com seu comentário.

bem o homem invade tudo, por isso que os animais se aproxima das cidades pra procurar comida, ja que o brasileiro procria sem controle e ainda critica aborto, em vez de propor vasectomia e laqueadura sem limite de idade. quanto ao resto falta realmente uma conversa definitiva com todo mundo,ai resolveria de evz esta questão, mas como o povo só vota em politico interesseiros no caos pra lucrar...

To bravo não bixinha, privilégio é ganhar tudo de graça, coisa que nunca tive, diferente de quem vive de cotas.

Mas cê tá brava por que amore? É difícil assumir privilégio né? Tadinho

É incrível como o público do omelete está sempre composto de a) reacionários falando um monte de absurdos em matérias politicamente relevantes ou b) marmanjo de trinta anos nas costas que vive com a mamãe, tem perfil fake em zona de comentários de site de nerd e fica o dia inteiro brigando por causa de marvel X dc Acesso o site diariamente porque o conteúdo é ótimo, mas a seção de comentários é deprimente. Torcendo pra abolirem ela de uma vez por todas que nem o Jovem Nerd

Se é assim doa sua casa para eles, já que um dia foi tudo deles e "nós" invadimos haha, cada uma. Primeiro que eu não invadi nada, você deve ser mais um SJW que acha também que todo branco tem que pagar por um dia existiu escravidão, e mesmo que meu bisavô não tinha escravos devo pagar por essa generalização imbecil, se é assim dê tudo de volta aos índios, se é assim, acabem com as cidades e civilização moderna e vamos nos morar no limbo ja que de acordo com essa pessoa, se você nao é índio nada do Brasil é seu, você não tem direito a mais nada é tudo do índio

O bagulho era todo deles, a gente é que tá invadindo. E tem gente que ainda se acha na razão quando reclama que eles mantém uma fração do era deles.

"em prol da demarcação das terras indígenas" O Brasil já tem o tamanho da região sudeste só de terras demarcadas. E eles ainda querem mais, e MST tirando terra de fazendeiro que ajuda a economia do país, e indio que só custa dinheiro público e não produz nada tem bastante direito já, coitadinhos.

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