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Copa do Mundo e Cinema: 48 Filmes dos 48 Países da Copa 2026

Listamos um filme para cada seleção classificada para o mundial que será disputado no México, EUA e Canadá

Omelete
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10.06.2026, às 18H37.
Copa do Mundo e Cinema: 48 Filmes dos 48 Países da Copa 2026

A Copa do Mundo de 2026 já começa batendo recordes com um número de seleções nacionais muito acima do padrão de 32 times. Serão 48 escretes divididos em 12 grupos, incluindo os estreantes Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão, e o Omelete não poderia deixar essa novidade passar em branco.

Assim, entre os dias 1 de junho e 18 de julho, véspera da final da Copa, vamos listar diariamente 48 longas-metragens produzidos em cada um dos países do torneio. O critério para a escolha é amplamente subjetivo - vez ou outra vai fazer menção ao jogo bretão - e os posts obedecerão à ordem alfabética.

Omelete Recomenda

O cinema uzbeque vem aí! Que comecem os jogos! 

 

África do Sul - Desonra, 2008

Desonra
Divulgação

O livro que deu ao escritor J.M. Coetzee o Booker Prize em 1999 é uma excelente síntese das questões raciais que marcam a África do Sul pós-Apartheid, e sua adaptação homônima ao cinema faz justiça ao material. John Malkovich interpreta o professor de literatura que tem um caso com uma aluna e, desonrado, então se demite e se muda para o campo, onde, ao lado da filha nascida de um casamento passado, passará por outra provação. O diretor Steve Jacobs encena esse conto moral com austeridade, recorrendo a uma ou outra imagem de faroeste para ressaltar a carga civilizacional do flagelo do professor e como ela se externaliza no mundo.

Onde assistir: Looke

Leia nossa crítica do filme

Alemanha - Em Trânsito, 2018

Em Trânsito
Divulgação

Principal cineasta alemão em atividade, Christian Petzold adicionou aos seus típicos suspenses hitchcockianos um tempero de distopia ao realizar este Em Trânsito em 2018. Soa como uma releitura de Casablanca a trama - inspirada em um romance alemão de 1944 - sobre um refugiado alemão que tenta fugir da França ocupada por uma força totalitária. Aqui, o costumeiro amor de perdição e as trocas de identidade que marcam os principais filmes de Petzold se prestam a comentar sobre a própria desidentificação europeia no século 21, registro melancólico da falência de um projeto de modernidade.

Onde assistir: Mubi

Arábia Saudita - O Sonho de Wadjda, 2012

O Sonho de Wadjda
Reprodução

A importância histórica precede o valor estético do filme saudita, que marca a estreia da primeira mulher a dirigir um filme no país, Haifaa al-Mansour, e também a primeira vez que a Arábia Saudita inscreveu um longa no Oscar. Como seria de esperar, a trama ilustra de forma pedagógica os limites que a sociedade saudita impõe à sua população, na história de uma menina que sonha em comprar uma bicicleta, a despeito de ser desencorajada pela mãe e suas professoras. Ecos do neorrealismo italiano na paisagem árida de Riade e especialmente no semblante de Waad Mohammed, que interpreta Wadjda e carrega o filme nos close-ups com a força radiante do seu inconformismo.

Onde assistir: Mubi

Argélia - Crônica dos Anos de Fogo, 1975

Crônica dos Anos de Fogo
Reprodução

O único filme africano a vencer até hoje a Palma de Ouro de Cannes é um festival de mobilização de figurantes de fazer inveja aos épicos de David Lean. Jogar com a escala e com a horizontalidade da fotografia em Scope é uma das formas que o diretor Mohammed Lakhdar-Hamina encontra para engrandecer a jornada da independência da Argélia, narrada a partir do ponto de vista de um morador de vilarejo entre os anos 1930 e 1950. Os travelings e os planos-sequências são parte da linguagem dos épicos que Lakhdar-Hamina usa ostensivamente ao longo de quase três horas de filme, sem perder de vista o indivíduo em meio à coletividade.

Onde assistir: Mubi

Argentina - Smog en tu Corazón, 2022

Smog en tu Corazón
Reprodução

No ano em que a Argentina se consagrou tricampeã do mundo, a diretora Lucia Seles realizou este que é o primeiro longa da sua chamada “pentalogia do ódio”, acompanhando um grupo de funcionários de um clube de tênis em Buenos Aires, suas manias, seus flertes e suas frustrações. Algo como um The Office mais radical, Smog en tu Corazón se conecta imediatamente com uma ressaca da pandemia na medida em que trata de forma absurda a incomunicabilidade desses personagens, cada um deles imerso no universo particular de seu individualismo. As conversas cortadas - monólogos que mal chegam a esboçar uma alteridade - se acumulam para fins cômicos na montagem anárquica de Seles. Nesse cenário o esporte, orgulho de uns e outros, só serve para dar um verniz de triunfo às derrotas do dia a dia.

Onde assistir: Mubi   

Austrália - A Proposta, 2005

A Proposta
Reprodução

2005 foi um belo ano para os filmes que tratam o Outback australiano não como um horizonte mítico de delírios e abstrações mas como um ambiente muito palpável de horror e abandono. Primeiro veio o filme-de-maníaco Wolf Creek e depois naquele ano estreou este faroeste, ambos tratando o deserto como a mais brutal das terras de ninguém. A Proposta fez todo mundo prestar atenção no trabalho do ícone Nick Cave como escritor e roteirista, e a parceria do músico com o diretor John Hillcoat se repetiria quatro anos depois quando Hillcoat migrou para Hollywood para filmar A Estrada, com trilha de Cave. A carreira de Hillcoat, ex-diretor de videoclipes nos anos 80 e 90, nunca decolaria de fato nos EUA e até hoje A Proposta é o seu melhor trabalho.

Áustria - Import/Export, 2007

Import Export
Reprodução

Entre os artigos de exportação da Áustria, da música clássica ao folhado de maçã, é inegável o sucesso dos cineastas misantropos como Michael Haneke e Ulrich Seidl. Antes de realizar sua conhecida trilogia do Paraíso, Seidl competiu em Cannes com este Import/Export, que ilustra as impossibilidades da União Europeia na história de uma ucraniana que sonha com uma vida melhor na Áustria e de um austríaco que tenta sua sorte na Ucrânia. A fotografia de Ed Lachman que estetiza a opressão e o niilismo deu o tom do cinema de autor no período, e ainda que Seidl tenha saído de Cannes desassistido isso não impediu Import/Export de pautar no festival uma tendência à desilusão com o eurocentrismo.

Leia a nossa crítica

 

 

Bélgica - Jeanne Dielman, 1975

Jeanne Dielman
Reprodução

No campeonato dos maiores filmes de todos os tempos, que a revista Sight & Sound faz com críticos e cineastas a cada dez anos, este longa de Chantal Akerman é o atual número um, desbancando unanimidades como Um Corpo que Cai e Cidadão Kane. É um reconhecimento da excelência formal da cineasta belga e acima de tudo um voto de primazia no chamado tempo do cinema, essa cápsula de imersão onde eventos e afetos se manifestam seguindo um senso muito particular de ritmo. Ao longo de três horas, Akerman “esculpe o tempo”, como diz Tarkovski, para tratar com dureza e também muita dignidade os três dias na vida de Jeanne Dielman que a levam ao limite da sua sanidade.

Onde assistir: Filmicca

Bósnia e Herzegovina - Terra de Ninguém, 2001

Terra de Ninguém
Reprodução

O fim da Iugoslávia em 1992 exacerbou uma tendência do cinema dos Balcãs de tratar a guerra nas telas com um misto de indignação, melancolia e absurdo. Do lado da Sérvia, Emir Kusturica levou a Palma de Ouro em 1995 com Underground, no agudo ano em que o conflito entre sérvios e bósnios iniciado em 1992 chegou ao fim. Do lado da Bósnia, a “reação” demorou um pouco e chegou em 2001 com um gosto de narrativa segura, testada e consumada neste filme dirigido por Danis Tanovic. De qualquer forma, foi o suficiente para dar a Terra de Ninguém o Oscar de melhor filme estrangeiro e até hoje esta parábola tragicômica sobre dois soldados rivais que ficam presos numa terra-de-ninguém num campo de batalha ainda é o longa mais conhecido produzido no país.

Brasil - Onda Nova, 1983

Onda Nova
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As glórias de prata que Marta, Cristiane e Formiga deram ao país seriam impossíveis até 1983, simplesmente porque o futebol feminino foi proibido por quatro décadas no Brasil, resquício de um decreto de Getúlio Vargas de 1941. A comédia dirigida por José Antonio Garcia e Ícaro Martins - sobre o dia a dia dentro de fora de campo do time das Gayvotas Futebol Clube - vem portanto celebrar a regulamentação e o faz no melhor estilo anárquico dos últimos anos da Ditadura, misturando pornochanchada com tropicalismo e Democracia Corinthiana. Proibido pelos censores naquele ano de 1983, em pleno começo das Diretas Já, Onda Nova ganhou em 2024 uma remasterização e neste 2026 passa a figurar na lista da Abraccine dos 100 maiores filmes brasileiros de todos os tempos.  

 

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