Marcus Nispel, que assinou o remake O Massacre da Serra Elétrica, realiza outra refilmagem em Desbravadores (Pathfinder), a de Ofelas, filme de 1987 do norueguês Nils Gaup ambientado na Europa do ano 1000.
O violentíssimo novo filme, roteirizado por Laeta Kalogridis (Alexandre), transfere a história para a América do Norte, quando lá aportam os nórdicos quinhentos anos antes de Cristovão Colombo. Karl Urban (Doom, O Senhor dos Anéis) interpreta um viking abandonado por seu clã enquanto garoto, depois de uma sangrenta batalha com nativos do Novo mundo. Criado no novo meio, ele passa a defender os ameríndios contra seu antigo e carniceiro povo.
Desbravadores
Desbravadores
Nispel é estiloso. Exagera nas representações de nativos e bárbaros (eles parecem muito mais orcs que vikings), filma com bonitos tons acinzentados (cortados por constantes e contrastantes jorros de vermelho sangue) e enche a tela de elementos e ruídos visuais, entrecortando-a. Mas nem todo o estilo do mundo é capaz de salvar um dos piores roteiros do ano.
Os problemas do filme são quase "metereológicos", já que ele sofre com a continuidade do clima e do tempo. Ora os personagens estão numa nevasca, ora parecem quentinhos - e de volta ao gelo inclemente. É uma bagunça de continuidade digna de Ed Wood. Igualmente estranha é a noção de tempo. Cenas simultâneas parecem correr em velocidades diferentes. Quando o herói, Fantasma (Urban) precisa se recuperar, por exemplo, parece que se passam dias. Já do lado dos Vikings, a impressão é que tudo está acontecendo em poucas horas.
A previsibilidade do texto de Kalogridis é outro ponto fraco. Há um romance ali que até os mais desligados conseguirão antever detalhadamente no primeiro frame em que a nativa Fogo das Estrelas (Moon Bloodgood) aparece. Chega a ser constrangedor de tão óbvio.
Mas pior mesmo são as estapafúrdias seqüências de ação. Há uma na primeira metade que dá vontade de sair do cinema. Nela, o herói desce uma montanha de neve montado num escudo viking, enquanto os bárbaros o perseguem em trenós. Sim, os vikings carregam trenós mundo afora, aparentemente. A corrida morro abaixo é digna de filme de James Bond. Exageradíssima e totalmente destoante. E a coisa só piora... a metade final inteira parece copiada do primeiro Rambo, com Fantasma montando armadilhas para, um a um, eliminar os invasores. Não falta a clássica cena herói-escondido-na-lama, tão popular na década de 80.
Aliás, todo esse ato final é inexplicável e apressado. Os vikings tomam atitudes imbecis o tempo todo. Nunca viram gelo fino na vida ("eles não conhecem a nossa primavera", bah), caem em todos os contos do herói... lamentável. E se são excelentes restreadores - eles provam isso logo no início - por quê necessitam do herói vivo pra encontrar a próxima aldeia nativa? Há uma trilha de uma vila inteira pra seguir, já que homens, mulheres, velhos e crianças fugiram para o interior. Imbecil e um dos piores lançamentos do ano.
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