Música

La Fleur | Da indústria farmacêutica da Suécia para as pistas de dança do mundo

A DJ/produtora é um dos destaques da cena de Berlim e se apresenta no D-EDGE Festival neste final de semana
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Yonathan Baraki
 - Yonathan Baraki

La Fleur é uma daquelas peças especiais dentro da engrenagem da música eletrônica. Oriunda da Suécia, hoje estabelecida em Berlim e residente de um dos principais clubes da capital alemã, o Watergate, a ex-farmacêutica é reconhecida por suas criações de sonoridade marcante e repleta de leveza.

Com uma história peculiar, deixou o caminho trilhado como mestre em ciência farmacêutica para se arriscar em Berlim e conquistar seu lugar ao sol na cena da cidade e posteriormente do mundo. A DJ/Produtora foi uma das atrações do D-EDGE Festival que rolou no último sábado (14) e - antes da apresentação - a artista conversou com o Omelete e falou um pouco sobre sua trajetória, seu som e as influências que Berlim tem em sua vida e sua forma de criar música. Leia abaixo.

De entrada, para entender o som que La Fleur faz é importante compreender como a mistura entre Berlim e seu país natal compõe sua forma de tocar. Afinal de contas, muitas pessoas vão para a cidade alemã buscar o sucesso como DJs. Sobre essa mistura ela é categórica: “É maravilhoso! Eu posso ter o melhor dos dois mundos. Ainda faço parte da cena sueca, da forma que posso, mas ter Berlim como minha base tem sido incrível pra mim. A cidade é uma grande fonte de inspiração. Me mudei pra cá para me inspirar e todos os dias da minha vida eu ainda sou inspirada por esse lugar. Em Berlim a primavera está no ar, o verão está nas esquinas, não existe nenhum lugar como este. É uma cidade bacana cheia de pessoas interessantes e com uma atmosfera especial e única”.

Mas mesmo com essa declaração de amor à capital alemã, será que ela consegue enxergar outro lugar capaz de rivalizar com Berlim? “Não existe. É triste dizer isso, mas eu não acho que exista outra cidade capaz de emular Berlim, ao menos não agora. A liberdade, a cultura de clubes, a história de como a cena cresceu, não existem tantos lugares capazes de se enquadrar nisso”.

O selo, a estreia na Alemanha e a música

Um dos destaques do selo musical gerido por La Fleur, o Power Plant, é que ela trabalha não só com produtores musicais, mas também com uma boa gama de artistas de diversas áreas. Possibilidade que dá um tempero diferente a cada um de seus lançamentos. Sobre esses detalhes a DJ afirma que as colaborações que surgiram durante o período de vida da Power Plant são extremamente importantes. “É tudo muito orgânico e natural. Mas cada artista que eu trabalhei possui algo único e especial que chamou minha atenção, transformando esse processo em uma jornada inspiradora de trabalho conjunto com um resultado incrível. Seja na ilustração da capa de um disco ou em uma coleção de roupas. E eu estou muito feliz em dizer que têm mais coisas vindo por ai”.

La Fleur tem uma história interessante de como fez sua carreira como DJ profissional acontecer. Aproveitando um período no qual poderia pedir afastamento de suas funções na Suécia, ela viajou para Berlim para buscar a carreira na música. De entrada, nenhuma label quis lançar seu primeiro EP, Flowerhead, o que a levou ao financiamento próprio de seu projeto, à criação do Power Plant e posteriormente, após boa receptividade do público, à mudança para a Alemanha e a carreira de DJ/produtora.

Sobre esse momento, e principalmente sobre ter criado seu selo para lançar o EP que - em um primeiro momento - ninguém queria, ela afirma que sempre quis ter um selo próprio e quando o projeto ficou pronto essa era a melhor coisa a ser feita. “Eu não acredito em arrependimento ou em querer fazer as coisas de forma diferente, só acredito em aprender com o passado. Mas, dito isso, eu tenho muito orgulho de ter feito as coisas dessa forma. Eu fiz da forma que fiz e acredito que esta foi, definitivamente, a escolha correta. Eu estou ansiosa para focar mais na Power Plant com um mais um lançamento saindo em breve e também com outros projetos”, enfatiza.

La Fleur, além do trabalho com a parte musical, recentemente desenvolveu uma coleção de roupas e também é mãe de uma menina de 3 anos. A DJ, quando questionada se a chegada de um novo membro na família a fez repensar sua forma de criar e o tempo de duração de sua arte, comenta que ter se tornado mãe abriu um novo universo. “Me trouxe muita alegria e amor pela vida, tudo foi elevado para um novo nível. Ela me faz querer ser uma pessoa melhor, não desistir nunca, ter sucesso. Então eu estou ainda mais determinada a fazer isso. E eu espero que a minha música e a minha arte permaneçam pra ela para os outros por um longo tempo”.

Brasil, artistas e o que ela está preparando para 2018

La Fleur, em diversas entrevistas, confessou que tem um carinho especial por suas apresentações no Brasil. Com isso em destaque, não dá pra fugir da pergunta clássica: Para ela, uma das residentes do Watergate em Berlim, qual é a principal diferença entre tocar para o público do Brasil e o da capital alemã?

“Eu amo tocar no Brasil. Geralmente a atmosfera e as pessoas são muito calorosas e bonitas. Eu tive momentos incríveis tocando um set de encerramento no Garden do Warung no verão passado, foi mágico. E eu também gosto muito de tocar na D-EDGE. Eu estou muito animada pra tocar no Festival no sábado”, comenta. Ao entrar na seara das diferenças entre a audiência alemã e a brasileira, a DJ pondera que em Berlim as pessoas também são receptivas e extrovertidas, mas de uma forma diferente do que ela costuma ver por aqui. “Eles levam mais tempo esquentando para uma boa festa”.

Ela ainda aproveita a deixa para falar sobre alguns nomes brasileiros que conhece e que admira comentando que já ouviu uma porção bacana de bons artistas daqui. “Eu já tive a oportunidade de tocar com alguns deles, com a ANNA, Leo Janeiro, Joyce Muniz, Renato Rartier, Eli Iwasa e diversos outros”.

Pra fechar, a DJ conta um pouco do que tem preparado para 2018. “Falando de música, eu vou lançar um remix para a label do Damian Lazarus, a Crosstown Rebels, no início de maio. Também um novo EP pela Watergate Records, chamado Outbreaker, que vem com um remix do Tuff City Kid para a faixa “Devil Sigh”. Ainda estou planejando também um novo EP pelo meu selo que deve ser lançado no verão do hemisfério norte”.

Outbreaker tem data de lançamento prevista para o dia 14 de maio via Watergate Records. Mais faixas e sets da DJ sueca estão disponíveis em seu canal oficial no Soundcloud.

Eu queria muito ter pela cidade onde moro, o amor que essa moça tem por Berlim. Mas tb não se pode comparar a capital alemã com Egg City aqui. Em tempo, uma boa alternativa quando eu não estiver ouvindo Nora en Pure ou Alok.

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